"The wind is low, the birds will sing, that you are part of everything..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Encontro

Você acredita em alma gêmea? Alguém que vive em qualquer lugar desse mundo e nasceu para te encontrar e no fim serem felizes e fecharem um ciclo de tentativas?
Às vezes você encontra alguém e pode até pensar que essa pessoa foi feita para você, ou melhor, que vocês foram feitos um para o outro. Mas não, ninguém nasce para ninguém, as pessoas se encontram, assim, no plural. Afinal, de que vale você encontrar alguém mas esse alguém não te encontrar?
Relação é algo vivenciado no plural, e relações surgem de encontros. Encontrar e ser encontrado, começar uma relação e então descobrir o quão completos vocês se sentem. Não quero falar de algo perfeito, porque particularmente eu acho que não existe coisa mais sacal que alguém concordando e dizendo amém para tudo o que digo. E gosto é de uma discussãozinha, não tem coisa melhor que algumas faíscas para mostrar o quanto uma relação continua viva. Relações são concordar e discordar, aprender e crescer a partir do convívio com o outro, de forma recíproca.
Como acreditar em alguém feito de forma pré-determinada para você? As pessoas são livres, e responsáveis por suas relações. Você pode responder à pessoa que te encontra, como também não pode e vice-versa.
Vivemos num mundo de possibilidades, cheio de almas, muitos encontros e muitos outros desencontros e a sua alma gêmea não existe, o que existe são muitas almas querendo ser encontradas e o que no início era uma, agora pode ser uma nova todos os dias.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A loucura do tempo e a tempestade

Um dia quente na vida de uma garota, bom seria se fosse um. "Esse tempo tá doido", já dizia minha vó, as vizinhas em seus portões, os comentários nos pontos de ônibus. Eu sinceramente ouço isso desde que me conheço por gente.
Ando achando que o tempo está doido a muito tempo, mas não do mesmo jeito. Afinal ele me surpreende a cada dia. Ultimamente ando meio cansada de surpresas do tempo, ou melhor, acho que quero ser surpreendida de verdade, tendo um inverno com menos de 30ºC no meio do dia.
Sinceramente, tenho medo de quão doido o tempo pode se tornar, se isso for realmente possível. Quando criança, o tempo era doido no dia que as crianças se arrumavam para ir ao colégio pela manhã e no meio da tarde voltavam para casa tomando banho de chuva, quando a previsão do tempo estava errada, e olhe só como elas voltavam felizes em meio a gritos, poças e muita diversão. Hoje em dia a previsão do tempo está certa - e arrisco a dizer que sempre -, mas confesso que isso tem me assustado mais do que uma tempestade surpresa no final da tarde. Uma tempestade que vem quando mais precisamos e menos esperamos, uma tempestade que vem para lavar a alma, e esquecermos do tempo. Para sermos felizes, como as crianças voltando da escola.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Visão dupla

Um olhar fixo, que divide o um em dois. A incerteza vinda de uma visão dupla, de não saber ao certo qual é o objeto a princípio tão encantador, mas que nesse momento torna-se fonte de dúvidas, incertezas. Me faz mal, me faz bem? Está próximo ou distante? Ao mesmo tempo que me atrai, faz com que todas as minhas forças sejam direcionadas para a fuga. É ambíguo, contraditório, me paralisa em conjunto ao olhar.
As formas são outras, mas não menos encantadoras, novas silhuetas formadas a partir do movimento, mas de onde vem esse movimento? O balanço do relógio, o dançar da serpente, é puro encantamento.
E quando seus olhos não aguentam mais, lágrimas estão acomodadas prestes a cair na face pasma, como num fenômeno instintivo as pálpebras se fecham, e logo se abrem - um segundo é o tempo - deixando as curvas incertas como uma breve lembrança, trazendo o fim do fantástico. Foi o estalar dos dedos do encantador, foi a realidade lhe batendo à porta. O ponto de partida para um novo encanto.

domingo, 4 de julho de 2010

O roteiro

Vejo minha vida como num filme em cores sujas, marrons, vermelhos queimados, verdes, cinzas, e um pouco de azul porque sou sonhadora. Esses dias me disseram que pareço sonhadora, por usar esmaltes azuis e gostar de desenhos. Confesso que nunca sonhei com coisas em tom de azul, ou com desenhos em preto e branco, mas acho que o azul faz muito sentido ao ser ligado aos sonhos. Foi pelos últimos dias que consegui enxergar essa ligação, ao dizer que gosto de visitar outros mundos, para desfrutar da ausência de gravidade, e voar. Voar me faz chegar um pouco mais perto do céu, que em dias ensolarados, com poucas nuvens ou algumas que se movimentam rapidamente com a força do vento, é azul, um azul claro e encantador.
Tirando a parte em que tive que reler tudo o que acabei de escrever para lembrar qual era o ponto que estava comentando - me perdi no azul do céu, ou nos sonhos, que seja - agora posso voltar a falar sobre minha vida como um roteiro de filme em tons marrons, vermelhos, verdes, cinzas e azuis.
No filme da minha vida os cenários seriam variados, desde grandes avenidas movimentadas, passando por bairros tradicionais de casinhas coloridas de muro baixo, a paisagens que misturam vales, plantações de trigo e o vento no cabelo. Os personagens são variados, mas todos com uma imensa capacidade de me fazer rir e imaginar as situações mais variadas e sem sentido, algo nonsense com um significado único por ser imaginado com alguém que te faz bem.
A trilha sonora seria cheia de surpresas, de solos de piano, a baterias e guitarras distorcidas, não faltaria beatles, e "Michelle" tocaria de forma sutil, para ser percebida pelos ouvidos mais atentos. As coisas ocorreriam de forma inesperada, seriam doces sem faltar toques apimentados de grandes paixões.
E o fim, ah o fim... Não me perguntem sobre fim, eu ainda estou no ínicio, um eterno recomeço.